Histórias que merecem ser contadas

Ricardo Fortes da Costa. Docente Universitário e Blogger: Nós e a Crise

Maio 31, 2010

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Ricardo Fortes da Costa /Docente Universitário, Blogger e Consulting Partner de Executive Search

 

 Ando já há algum tempo para escrever este post, mas a crise não me tem deixado ter tempo para isso. É verdade: o principal efeito da crise é estar cheio de trabalho, razão pela qual já não postava no Mentes Brilhantes há mais de mês e meio!
A ajudar a isto está a natureza das minhas duas profissões:
• consultor – alguém que ajuda pessoas e organizações a resolver problemas e a desenvolverem-se;
• professor (universitário) – alguém que ajuda profissionais a desenvolverem-se através da aquisição de novos conhecimentos e perspectivas;
Sim, sem dúvida que estas são actividades profissionais que podem transformar a crise num manancial de oportunidades, mas não são, por definição, à prova de crise!
Então o que pode levar-nos a estar imunes à crise actual? Na minha perspectiva, a receita para um bom “sistema imunitário” passa por:
1. Capacidade de reinventar constantemente a nossa proposta de valor, ou seja, de perceber o que está a mudar no mercado em que estamos, o que os nossos “clientes” procuram (sejam mesmo clientes ou potenciais empregadores), e como podemos satisfazer as suas necessidades (de forma original, apelativa e mais flexível/competitiva). Diz-me a experiência recente que, no seio desta crise, há dois tipos de pessoas: i) as que se queixam da situação e que ficam à espera que passe; ii) as que já lutavam para ser competitivas antes da cris e e que ainda não tiveram tempo de dar por ela;
2. Elevadíssimo rigor na gestão do negócio – seja ele negócio próprio ou gerido por mandato de terceiros. Isto não se deve confundir com “febre de redução de custos”, que tem levado muitas organizações à anorexia organizacional. Mas significa que só devemos criar custos com a garantia firme de geração de proveitos. Em caso de dúvida, deveremos ter a imaginação de desenhar modelos de trabalho suficientemente flexíveis para que o risco operacional seja partilhado por todos os intervenientes na cadeia de valor;
3. Obsessão pela qualificação, aprendizagem, actualização e informação – ou seja, garantir que estamos sempre na posse do conhecimento indispensável para que possamos continuar a ser excelentes e a inovar;
4. Profissionalismo na gestão da marca – seja ela corporativa ou pessoal, a nossa marca, o nosso prestígio e a nossa reputação são o nosso valor percebido no mercado. Devemos cuidar dela com tanto ou mais cuidado com que cuidaríamos de um bonsai… pois sem ela não teremos procura para a nossa oferta (pelo menos de forma consistente e sustentada);
5. Optimismo e energia positiva – ou seja, acreditar na nossa proposta de valor, e transmitir essa crença à nossa equipa e aos nossos clientes, criando um efeito de “contágio positivo” que alavanca de forma determinante a produtividade profissional e a dinâmica comercial.
Esta tem sido a receita que tenho aplicado, e que tem feito de 2010 um ano excelente em termos profissionais.
Sei que muitos terão tido a infelicidade de perder o seu emprego. A esses, acrescentaria um sexto princípio: nunca parar! Façam coisas, mesmo que isso implique actividade não remunerada!
A inactividade é uma espiral descendente e depressiva da qual é muito difícil sair. Façam voluntariado, abram um pequeno negócio (mesmo que seja apenas para enquadrar com uma “marca” a vossa actividade como profissionais independentes), mas nunca, nunca fiquem parados: não fica bem no CV e não faz bem à auto-estima ;-)
Descubram o vosso talento e apliquem-no, seja ele qual for. A probabilidade de termos sucesso a fazer o que gostamos é grande, pois tendemos a ser melhores a fazer aquilo que gostamos (e esta recomendação vale para todos).
A crise não está aí para todos: apenas para quem desiste…

Leia este e outros artigos no Blog Mentes Brilhantes http://mentesbrilhantes.wordpress.com/

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